O Programa Olhar Brasil, criado em 2005 pelo Ministério da Cultural, através da Secretaria do Audiovisual, prevê a criação dos Núcleos de Produção Digital, que se constituirão em espaços de criação e reflexão de conteúdos cinematográficos regionais.
Cada núcleo da Rede Olhar Brasil, entre os quais o Núcleo de Produção Digital Goiano (NPD-GO), integra o programa homônimo e possui um ambiente preparado pelo MinC com equipamentos de iluminação, captação de som e imagem, edição não-linear e finalização. O suporte logístico e a base de recursos para a formação artístico-profissional são concedidos pelo Centro Técnico Audiovisual (CTAv) e pela Cinemateca Brasileira, ambas instituições vinculadas à SAV/MinC.
O objetivo é fomentar a produção independente e a formação técnica e artística dos produtores de audiovisual no país. Desse modo, a SAV avança ainda mais em direção à politica de regionalização da produção cultural, que vem sendo desenvolvida pelo Ministério da Cultura, e que já deu frutos como os projetos DOCTV e Revelando os Brasis.
Os Núcleos de Produção Digital, assim como o DOCTV e o Olhar Brasil são iniciativas pioneiras capazes de descentralizar a produção e a exibição, oferecendo um panorama brasileiro da nossa diversidade cultural e estimulando a criação de pólos regionais de audiovisual nos estados.
Um dos 11 núcleos que compõem a rede, o Núcleo de Produção Digital de Goiás vai estimular a relação de mercado entre produtores independentes, as produtoras locais e a TV Brasil Central. Este processo gerará um amadurecimento profissional para os envolvidos, na medida em que estimula a relação de mercado entre estas diversas partes.
Ocorre, porém, que neste momento o Núcleo de Produção Digital Goiano corre o risco de não sair do papel. A Agepel - proponente do projeto juntamente com a Agecom, a TV Brasil Central, a ABD-GO, a AGCV, o Icumam, o Instituto Rizzo, o Sebrae-GO e o Senac-GO - , em reunião agendada pela ABD-GO para tratar do assunto, informou em primeira mão que não mais pretende integrar esse grupo. Isso significa que os recursos necessários para a implantação do NPD-GO não serão repassados pelo Governo, o que inviabiliza o projeto. Corre-se o risco de tudo voltar à estapa zero e o MinC repassar os direitos para outro Estado da Federação.
Em conversa com o diretor de Ação Cultural da Agepel, José Eduardo Moraes, sugeri a ele o estudo da possibilidade jurídica de transferir as atribuições e responsabilidades físico-financeiras para o Sebrae e para o Senac.
POLÍTICA CULTURAL
Como legítima representante de boa parcela dos realizadores independentes goianos, a ABD-GO conclama a todos para se mobilizarem em prol do NPD-GO.
A ABD-GO manifesta-se publicamente pela implantação de uma política cultural concreta para o audiovisual em Goiás. E dessa política, o NPD-GO é um dos principais instrumentos.
Toda sociedade que queira atingir o desenvolvimento deve ter em mente que a cultura, ao lado da economia e da justiça social, alavanca a cidadania de um povo. Na era da globalização vivenciada neste novo milênio, não apenas as economias buscam a integração, como também as culturas de diferentes países se conhecem e se unem. Cultura, lazer e turismo são mercados promissores e lucrativos aos quais o Estado de Goiás precisa se integrar e se consolidar para atingir o desenvolvimento almejado.
Nesse contexto, se faz necessário que o Estado e a iniciativa privada definam os seus reais papéis junto a atividade audiovisual goiana. A ABD-GO, que durante o primeiro e segundo FICA realizou os Fóruns de Políticas Regionais de Cinema, defende a criação de uma política específica para a área do audiovisual que garanta a produção de curtas, médias e longas-metragens em película de 35 mm e em vídeo digital, através da publicação de editais de concursos públicos de roteiros e fundos advindos de leis de incentivo à cultura.
PÓLO DE CINEMA
Nesse contexto, é preciso regulamentar urgentemente o Fundo Estadual de Cultura. Cabe ao Governo do Estado incentivar a produção dos produtos audiovisuais. Para isso, o Estado deve buscar a parceria da iniciativa privada, que não deve se ater ao uso dos impostos devidos no financiamento de filmes e vídeos goianos, mas também aplicar recursos diretos, sem o benefício das leis de renúncia fiscal.
Necessária se faz a criação de um Pólo de Cinema em Goiás. E que ele seja estruturado de forma sólida, fundamentado numa política concreta de produção, distribuição e exibição. Nesse último caso, que seja dado suporte físico e financeiro para a implantação dos Pontos de Difusão Digital de Goiânia e da Cidade de Goiás.
Esse pólo encontra no NPD-GO o seu instrumento seminal. Ele deve ser responsável também pela formação de mão-de-obra especializada em todos os níveis da produção audiovisual, com a realização de cursos específicos durante todo o ano. É prioritária a constituição de um programa de apoio e incentivo à formação nos vários níveis técnicos e artísticos, para que o produto cultural goiano possa competir em pé de igualdade com as produções mundiais. Uma cinematografia somente se constitui de maneira sólida se houver oportunidades de produção que permitam a descoberta de novos talentos.
É fundamental, portanto, que haja investimentos em mostras e festivais que difundem a produção local. A realização do FICA, que projetou Goiás mundialmente e cujos reflexos podem ser sentidos ainda hoje na repercussão do cinema goiano em diversos festivais nacionais e internacionais, é uma prova incontestável de que o cinema e o vídeo são os melhores meios de comunicação de massa, capazes de levar a cultura de um povo para os quatro cantos do mundo, além de levar aos povos do planeta a conscientização sobre os males que afligem o meio ambiente.
DE GOIÁS PARA O MUNDO
A história do povo goiano, seus costumes, religiosidade, folclores, tradições, além das ricas e diversificadas paisagens do nosso Estado, estão sendo levadas para o mundo inteiro através das lentes mágicas do cinema. Nos anos 1990, a formação da sociedade goiana já chegou à China, Alemanha, Áustria e Índia levada pelas mãos de João Batista de Andrade com O Tronco; a cultura indígena magistralmente registrada através do celulóide por Jesco von Puttkamer foi vista pelos europeus no Festival de Clermont-Ferrand, onde foi exibido Bubula, o Cara Vermelha, de Luiz Eduardo Jorge. Da mesma forma, o público brasileiro conheceu a trajetória de João Bennio através do documentário O Pescador de Cinema, de Ângelo Lima, exibido no Festival Internacional de Curtas de São Paulo e na Jornda Internacional de Cinema da Bahia, enquanto A Lenda da Árvore Sagrada, de Eládio Garcia Telles, esteve no Festival Cinco Minutos da Bahia.
Em maio último, o 4º Festival de Cinema de Maringá apresentou em sua mostra competitiva seis produções goianas: 14 Bis, de Guilherme Gardinni; A Resistência do Vinil, de Eduardo Castro; Coque do Buriti, de Gel Messias; É da Raiz, de Angelo Lima, Goiânia - Sinfonia da Metropóle, de Rodolfo Carvalhaes; O Filme que Nunca Existiu, de Sérgio Valério. Enquanto Rapsódia do Absurdo, de Cláudia Nunes, participou do Cine PE 2007, em abril, e do 14º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, em maio.
No próximo mês de julho, a IV MoVa Caparaó - Mostra de Vídeo Ambiental do Caparaó, festival capixaba que dedica todos os anos uma janela aos filmes premiados no FICA, apresenta em sua mostra competitiva nacional seis produções de Goiás, das treze produções selecionadas. São eles: Coque do Buriti, de Gel Messias; Flower Power, de Sérgio Valério, Lamento, de Kim-Ir-Sen Pires Leal; É da Raiz, de Ângelo Lima, e Minha Árvore, de Andréia Miklos Mocó.
Diante de tudo isso, a classe cinematográfica e do audiovisual de Goiás, pelo menos a parte representada pela ABD-GO, reivindica que seja dada uma solução satisfatória para o impasse relativo ao NPD-GO. Que o Sebrae e o Senac unam esforços no sentido de tornar realidade esse embrião do Pólo de Cinema Goiano, promovendo uma discussão sobre o audiovisual nos diversos setores da atividade econômica. O empresário goiano precisa tomar conhecimento que há hoje uma tendência internacional no mundo dos negócios a optar pelo marketing cultural como forma de perpetuar suas marcas. A identidade que as manifestações culturais criam com seus públicos e, por extensão, com as empresas que as patrocinam, tem trazido ótimos resultados em termos de promoção institucional e um retorno do investimento mais do que compensador.
A ABD-Goiás defende também a garantia de exibição de curtas-metragens goianos antes dos filmes nacionais e internacionais no Cine Cultura e no Cine Goiânia Ouro, com remuneração para os seus realizadores, bem como a implantação da Cinemateca de Goiânia, já aprovada em lei e sancionada pela Prefeitura, a fim de que seja preservado o patrimônio histórico e cultural do Estado de Goiás registrado em película e vídeo. É necessário criar um acervo próprio dos filmes realizados em Goiás ao longo da sua história para que haja dados oficiais sobre a nossa cinematografia, a partir do qual possam ser fomentados trabalhos de recuperação histórica, de pesquisa de dados e de elaboração de catálogos de referências. A classe cinematográfica e do audiovisual de Goiás representada pela ABD-GO acredita que este é o momento da implantação de uma política cultural e educacional que garanta a viabilidade futura da cinematografia goiana.
Isso posto, conclamos todos os demais segmentos do audiovisual goiano a se engajarem nessa luta!
Beto Leão
Presidente da ABD-GO
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